
POEMA CEGO
Maria Thereza Neves
sem sentido
sem rumo
sem nexo
sem discutir destino
meu poema cego
entre retas tortas mudas
emoções perdidas
a procura de 1 eco
restos-cacos de vida ...

"...Antes que a vida me vincasse a testa, eu sorria, me iludia, encontrava-me repleta de ilusões, cujos sentimentos afloravam e eram bem quistos. Hoje lembrando de tudo, sinto reacender em mim, aquela época considerada vanguarda no tempo, e neste adendo escrevo meus versos toscos, sem graça, pois sinto a graça não em meus versos, mas aqui, só dentro de mim.."
by NANCY MOISES

"...O que mais me fascinava era a pressa agonizante dos passantes. Olhava cada
rosto, cada olhar esfacelado, cada face carregada de mágoas ou preocupações
nada tangíveis. Tinha gosto e desprezo ao mesmo tempo. Sentia necessidade de
ver os olhos fundos de eminentes lágrimas e, a corrosão dos anos na pele
alheia que revelavam os janeiros passados e o desespero infundado de um
futuro inexistente. Os passantes eram como espelhos. Espectros indesejados
que caminhavam taciturnos por calçadas imaginárias. Todos na distância do
pensamento absorto que me carregava de tempo em tempo, tirando-me da
realidade lacerante e, jogando-me num abismo impreciso entre a memória do
que é e do que não é. E, naquele instante, eu não era..."
(by Flávio Otávio Ferreira)

