terça-feira, 16 de junho de 2009

AQUARELA - Marise Ribeiro


Aquarela

Marise Ribeiro


No ontem de mim, uma tela inerte

a imagem da solidão refletia.

Pálidas e inexpressivas, as espumas do tempo

varriam sombrios dias.

No hoje, a arte concreta dos conflitos,

explode em tonalidades de gritos

de uma paisagem que ansiei compartilhada...

Dou a mão a mim mesma,

"aquarelo-me" com o silêncio do nada,

diluo ímpetos e afãs,

e me esboço abstrata em nuanças do amanhã...


14/06/09



quinta-feira, 11 de junho de 2009


"...Quando soube da queda do avião, foi isso que senti: um silêncio interior. Uma mistura de inquietação, perplexidade e ausência de explicações. Acredito que um dia esse meu silêncio vai ser maior, uma sintonia com o grande nada que contém toda a vida ou o grande Todo que só tem o silêncio como explicação, onde todos as crenças são tênues esforços dos mortais para manter o frágil equilíbrio da vida, a permanência que nós acreditamos existir, as ilusões que criamos como terreno seguro por onde a vida vai acontecendo entre sorrisos e lágrimas..."



(Fragmento extraído da crônica Um Minuto de Silêncio de Aldo Cordeiro)

sábado, 6 de junho de 2009


Carrego teu coração comigo
Edward Estlin Cummings

Aqui está o grande segredo
que ninguém sabe...
Aqui está a raiz da raiz,
o broto do broto,
e o céu do céu de uma árvore chamada vida;
que cresce mais alto do que a alma pode esperar
ou a mente pode esconder,
e esse é o milagre
que mantém as estrelas distantes ...

Carrego teu coração comigo,
dentro do meu coração...

terça-feira, 2 de junho de 2009






by Claudio Rabello


"...Há alguma coisa em minha boca
que paralisa o gosto.
Deve ser sua ausência.


Mas você deve estar por aí...
Cansada de não estar aqui,
onde queimo


Vagabundo vaga-lume,
esperando ser chamado
para esquentar seus lençois
sem ter direito a noite..."

domingo, 31 de maio de 2009



CONSOLO PRÓPRIO
Diva Melo


Magoada,

suja ou chacinada

Sei lá...

Bati em tua janela

Nada...

Nem som

Nem noite

Tudo perdeu o sentido

Tive que me fazer de abrigo

Pra suportar a ausência

De quem eu tanto procurava...


quinta-feira, 21 de maio de 2009



SEQUELAS
Gilia Girling


(parabéns querida pelo aniversário)



Abraços negados abrem sulcos.

Sulcos cravados abrem crateras no olhar.

E o olhar,

machucado do abraço negado,

não sabe se chora,

se grita

ou morre, no sulco da alma.

sexta-feira, 15 de maio de 2009




REDEMOINHO

LianeNiremberg


Esse tempo presente que me habita
Não faz sentido
Sem meias palavras que me bastem
Busco incessantemente
O momento que me dê abrigo
Nada me alcança
E meus sentires...
Ah!
Presos a um redemoinho...